Domicio do Nascimento Junior
 

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   Manejo de pastagens

      FUNDAMENTOS PARA O MANEJO DE PASTAGENS, EVOLUÇÃO E ATUALIDADE
       
  24/3/2005  

Domicio do Nascimento Junior1
Américo Fróes Garcez Neto2
Rodrigo Amorim Barbosa2
Carlos Mauricio Soares de Andrade2

Professor Titular do Departamento de Zootecnia da UFV - domicio@ufv.br
Estudantes de Doutorado em Zootecnia da UFV - rodrigo@cnpgc.embrapa.br

Introdução

Dentre as publicações científicas na primeira metade do século XX, na área da agronomia, podem-se destacar duas que talvez tenham sido as principais responsáveis pelo desenvolvimento de toda tecnologia oferecida aos pesquisadores da área de manejo de pastagens. A primeira delas foi o trabalho de Graber em 1927, citado por VOLENEC et al. (1996), que foi um dos primeiros a relatar que os níveis de carboidratos não-estruturais (CNE) nas raízes diminuíam durante a rebrotação, na primavera, em plantas de alfafa (Medicago sativa L.) e, novamente, após desfolhação (Figura 1). A segunda publicação foi, sem dúvida, o trabalho de Watson, citado por BLACK (1962), o qual afirmou que uma medida da área foliar é relevante para a comparação de rendimentos agrícolas, isto é, o peso das diferentes colheitas, produzidas por unidade de área do solo, é a área foliar por unidade de superfície de solo, denominada por ele de Índice de Área Foliar (IAF).
O valor do IAF nos estudos do crescimento das pastagens foi demonstrado por BROUGHAM (1956), em sua análise de rebrota após desfolhação. Em estudo prévio em 1955, Brougham, citado por BROUGHAM (1956), determinou a natureza da curva de rebrota após desfolhação de pastagens de trevo e azevém. Nessas curvas, observou que, aproximadamente durante três semanas após desfolhação, a taxa de crescimento aumentava e, durante as próximas cinco semanas, permanecia constante para declinar a seguir. Isto sugeriu que a duração da primeira fase estava relacionada com a área foliar e com a interceptação da luz e que esta fase continuava até haver suficiente cobertura para interceptar toda a luz incidente. Dessa forma, BROUGHAM (1956), em seu experimento clássico, submeteu uma consorciação de azevém, trevo-vermelho e trevo-branco a três diferentes intensidades de desfolhação, ou seja, cortes a 2,5; 7,5 e 12,5 cm, e mediu-se a produção de matéria seca, o índice de área foliar (IAF) e a percentagem de penetração da luz. Quando a pastagem era cortada a 12,5 cm, praticamente interceptava 95% da luz incidente. Nas parcelas desfolhadas a 2,5 cm, houve necessidade de 24 dias de rebrotação para interceptar a maioria da luz incidente, enquanto nas cortadas a 7,5 cm foram necessários 16 dias de rebrotação. Dessa forma, concluiu que as taxas máximas de acúmulo de matéria seca estavam associadas à interceptação máxima da luz incidente. A produção de matéria seca permanecia em seu máximo sempre que 95% da luz incidente era interceptada. BROUGHAM (1957), ao mensurar a massa de forragem em intervalos regulares, durante a rebrotação após o pastejo, descreveu uma trajetória sigmóide, em forma de “S”, para a massa de forragem no tempo, em que a inclinação maior representa maior taxa de crescimento. A curva mais achatada representa uma taxa de crescimento menor. O gráfico de Brougham mostra que, durante o ciclo de rebrotação, o acúmulo de forragem, no começo, é relativamente lento; então, é acelerado e diminuído novamente, à medida que o piquete aproxima-se do que se chamou de teto da produção forrageira, na qual a taxa de acúmulo da forragem é zero. BROUGHAM (1957) descreveu, assim, três fases em sua curva de acúmulo de forragem. Na fase 1, chamada de logarítmica, o acúmulo é limitado pela baixa área foliar e pela baixa captura de luz, porém é acelerado com o tempo. Na fase 2, chamada de linear, o acúmulo é alto e mais ou menos constante, o que reflete o potencial da gramínea no ambiente. Na terceira fase, chamada de fase assintótica, o processo de senescência aumenta. Eventualmente, a taxa de senescência iguala-se à taxa de produção de folhas, ponto em que o acúmulo de forragem diminui até zero. Em algumas condições, a senescência de folhas pode exceder a produção de folhas; nesse caso, a massa forrageira em pé pode diminuir com o tempo.

Figura 1 - Níveis de carboidrato total não-estrutural (CNT) e nitrogênio (N) em raízes de alfafa declinam quando o crescimento é retomado na primavera e após a desfolhação, no início de agosto. Os dados foram apresentados como porcentagem de CNT e N nas raízes, no dia 13 de abril (36,5 e 320 mg/g de MS, respectivamente).
Fonte: Graber (1927), citado por VOLENEC et al. (1996).
Estes estudos deram origem aos primeiros modelos de manejo da desfolha em pastagens baseados no conceito do índice de área foliar (IAF), os quais tinham como objetivo a otimização do balanço entre a interceptação e a conversão da radiação fotossinteticamente ativa incidente em biomassa vegetal. Esse conceito se baseava na análise de crescimento derivada do padrão sigmóide de acúmulo de forragem, que ocorre durante a rebrotação após desfolhas severas e infreqüentes. A otimização da produção seria obtida como resultado da manutenção do pasto na fase “linear” de crescimento, de modo que o IAF ótimo seria aquele no qual a máxima taxa instantânea de crescimento seria sustentada. Mais especificamente, a proposta era baseada em desfolhas freqüentes, mas pouco intensas, de modo a evitar períodos de baixa interceptação de luz após cada evento de desfolha. A intensidade da desfolha deveria assegurar a manutenção de área foliar suficiente para interceptar completamente a luz incidente, de modo que o crescimento do pasto fosse mantido em taxas próximas do máximo.
A estrutura desta palestra é a seguinte. Na primeira parte, procura-se analisar importantes livros-textos surgidos em cada década e neles verificar as principais recomendações para o manejo, abordados pelos autores. Na segunda parte, analisam-se os conceitos e definições considerados essenciais ao estudo da morfogênese. Na terceira parte, analisam-se o fluxo de tecidos em face do conhecimento disponível, com ênfase nas espécies tropicais. Finalmente, no capitulo final, analisam-se as recomendações para o manejo da pastagem. Esta não é de forma alguma, uma revisão exaustiva sobre o tema, mas uma abordagem que visa trazer informações práticas principalmente à literatura nacional.
 
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