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   Reciclagem de Nutrientes

      RECICLAGEM DE NUTRIENTES SOB CONDIÇÕES DE PASTEJO
       
  30/8/2002  

Disciplina: Tópicos Especiais em Forragicultura
ZOO - 750
Professor: Dilermando Miranda da Fonseca
Aluna: Kênia Régia Anasenko Marcelino
Viçosa - MG
Maio/2002
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ÍNDICE
1
1. Introdução 02
2. Ciclo dos nutrientes no ecossistema pastagem 04
3. Entrada de nutrientes no sistema 13
4. Perdas de nutrientes no sistema 18
5. Fatores que podem influenciar a reciclagem dos nutrientes 21
6. Conclusão 24
7. Referências bibliográficas 25
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1. INTRODUÇÃO

As pastagens são ecossistemas complexos e constantemente modificados pela presença dos animais e também pela ação antrópica. A maioria das pastagens de alta produção é resultado da retirada da vegetação natural e introdução de novas espécies,
entre elas gramíneas e leguminosas.
A maioria das áreas ocupadas por pastagens na região da Mata Atlântica é oriunda da remoção da vegetação nativa, onde a retirada da vegetação favorece a fase de estabelecimento do pasto com a mineralização da matéria orgânica remanescente da
floresta tropical, disponibilizando o nitrogênio necessário à produtividade das gramíneas (Cantarutti, 1996). Entretanto, a destruição ou perturbação de um ecossistema interrompe os ciclos biológicos que mantém o equilíbrio entre as espécies e
o meio. Assim, a sustentabilidade do sistema é de responsabilidade da matéria orgânica, que desempenha importante papel na reciclagem de nutrientes, no tamponamento do solo contra alterações bruscas de pH, na manutenção da estrutura e na adsorção e armazenamento de água (Resck et al., 1991).
Alguns resultados de pesquisa sugerem que os sistemas de produção baseados em pastejo são, praticamente, auto-sustentáveis, exigindo baixas quantidades de insumos (fertilizantes e corretivos) para reporem as perdas exportadas no produto animal. A continuidade da produtividade em tais sistemas parece ter condições de manter-se em equilíbrio por um longo período de tempo, antes que se indique a necessidade de reposição de nutrientes (Corsi e Martha Junior, 1997). Porém isto não é verdade, quando os nutrientes retirados do sistema estão em maior proporção que os nutrientes que estão entrando.
A reserva de matéria orgânica no solo tem sido utilizada como um critério para avaliar a qualidade do solo. Entretanto, esse critério de avaliação é pouco adequado ou insuficiente, pois, as variações de curta duração que ocorrem no ambiente solo, não são
prontamente acompanhadas por modificações na matéria orgânica total (Liang et al., 1998). E ainda que, a dinâmica do compartimento orgânico total do solo é lenta, o que
não acontece com os compartimentos mais lábeis (Sparling et al., 1998). Cerri (1989) estudando a origem do carbono presente em solo argiloso da região Amazônica, em floresta natural, e em área com a implantação de pastagem de Brachiaria humidicola, reporta que na mata natural 100% do carbono total foi oriundo
do carbono da própria floresta; na pastagem com dois anos de implantação este percentual foi de 80% e na pastagem com oito anos de 54%, e ainda que na área implantada há dois anos, o teor de matéria orgânica na camada de 0-20 cm foi reduzido
em 25% em relação à floresta natural e que na área implantada a oito anos foi superior a 25%, indicando outras vias para o aporte de C ao sistema. Assim, os processos biológicos que ocorrem na área após os oito anos de implantação da pastagem, estão
mais relacionados com o carbono mais jovem, que foi introduzido ao sistema pela pastagem, que com o carbono remanescente da mata natural, mais antiga e estável, evidenciando a sustentabilidade do ecossistema de pastagens. Monteiro e Werner
(1989) também reportam que em condições de adequado equilíbrio entre oferta e consumo de forragem, a reciclagem de nutrientes por meio dos resíduos vegetais assegura a manutenção de parte substancial dos nutrientes do sistema, favorecendo a
sustentabilidade da produção de pastagens.
Entretanto, para que esta sustentabilidade seja alcançada, é necessário o entendimento do funcionamento dos compartimentos integrantes do ecossistema pastagem, já que este sistema encontra-se constantemente perturbado pela ação antrópica, devido a necessidade de aumento da produtividade. Vale ressaltar ainda, os quatro componentes que influenciarão no funcionamento desse sistema. A comunidade de plantas influenciará pela competição por nutrientes, distribuição e morfologia das
raízes bem como sua longevidade e no requerimento de nutrientes para o crescimento ótimo das plantas. A comunidade animal influencia pelo tipo de pastejo e tipo de deposição das excretas, podendo afetar a eficiência da ciclagem dos nutrientes minerais.
Alguns submodelos de ciclagem consideram as interações microbianas que incluem antagonismos e sinergismos que podem resultar em combinações de espécies particulares no solo. O quarto componente é o homem, que administra através de
práticas de manejo, incluindo fertilização, irrigação, movimento de animais, colheita, etc. (Wilkinson e Lowrey, 1973).
Para que o manejo a longo e curto prazo favoreça o aumento na disponibilidade de nutrientes, é necessário entender como os compartimentos do sistema estão influenciando nas taxas de mineralização e na imobilização, principalmente, no que diz
respeito à influência da composição química na reciclagem dos materiais.
Visando aumentar a produtividade das pastagens, tem se adotado a utilização de fertilizantes e corretivos como alternativa para o manejo intensivo, onde existe a tendência de se encurtar o ciclo e aumentar a utilização de biomassa, e consequentemente aumentar a extração de nutrientes. Assim, torna-se de fundamental importância o conhecimento das taxas de entrada, saída e translocação dos nutrientes, para que sejam traçadas estratégias de adubação visando fornecer o suprimento
adequado de nutrientes e aumentar sua sustentabilidade do sistema.
Este trabalho objetiva descrever os fatores que afetam a reciclagem dos nutrientes no ecossistema pastagem. As possíveis interações entre solo-planta-animal, e como estas estarão influenciando no funcionamento do sistema como um todo.
 
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