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   Queima de pastagens

      QUEIMA DAS PASTAGENS
       
  28/6/2001  

Patrícia Amarante Brâncio, estudante de doutorado em zootecnia, UFV
Domicio do Nascimento Jr., PhD, Professor Titular da área de Forragicultura e Pastagens do DZO/UFV,
Viçosa-MG

A região de cerrados ocupa cerca de 25% do território brasileiro e possui aproximadamente 207 milhões de
hectares, dos quais 30% correspondem a pastagens naturais e 15% a pastagens cultivadas (ALMEIDA e
SILVA, 1989). A região Centro-Oeste, composta em quase sua totalidade por vegetação de cerrado, possui
cerca de 30,2 milhões de hectares com pastagens cultivadas e 28,9 com pastagens nativas (CENSO
AGROPECUÁRIO DO BRASIL, 1985).
Embora haja tendência de redução de pastagens nativas no cerrado (MACEDO, 1995), estima-se que 37%
destas áreas, que apresentam solos litólicos, areias quartzosas ou lateritas não-hidromórficas, deverão,
potencialmente, continuar sendo exploradas como pastagens nativas no futuro (ZOBY e MORAES, 1986).
Em virtude de seu baixo custo, deve-se utilizar ao máximo o potencial dessas áreas.
As pastagens nativas apresentam baixo potencial de produção bovina, marcada estacionalidade de produção
forrageira e grande diversidade florística. Quando as condições de umidade e temperatura são favoráveis, a
vegetação nativa atende às exigências de algumas categorias animais, entretanto, no período da seca, ocorrem
um decréscimo no crescimento e uma queda da qualidade da forragem em virtude da redução do teor de
proteína e digestibilidade (SIMÃO NETO, 1976) e da rapidez de lignificação das gramíneas (SIMÃO NETO
e DIAS FILHO, 1995).
Tendo em vista que a bovinocultura desenvolvida na região tem na pastagem sua principal ou única fonte de
forragem e a baixa qualidade da forragem reduz o consumo voluntário (MINSON e MILFORD, 1967), os
requisitos nutricionais dos rebanhos, como conseqüência, não são atendidos, e a produção de carne e leite é
seriamente prejudicada (SIMÃO NETO e DIAS FILHO, 1995).
Portanto, torna-se necessário adotar algumas práticas de manejo que minimizem os problemas de escassez e
baixo valor nutritivo de forragens, em especial na época seca.
A queima aparece como uma prática alternativa bastante utilizada, por ser de baixo custo e fácil adoção. Sua
principal finalidade consiste na remoção da "macega", capim rejeitado pelo gado, proporcionando uma nova
rebrotação em períodos de escassez de alimentos. Esta rebrotação , por ser mais tenra, palatável e de melhor
qualidade, pode levar a melhores resultados em termos de produção animal.
Outro efeito da queima é a eliminação da ação seletiva do gado na composição botânica da pastagem
(ARIAS, 1963), por eliminar igualmente espécies de menor valor nutritivo que, por serem rejeitadas pelo
gado, tendem a aumentar de freqüência ao longo dos anos, e espécies de maior valor, altamente selecionadas
pelo gado, que tendem a diminuir com o pastejo. Se for considerado que a preferência do animal por
diferentes plantas e comunidades constitui um ponto crítico do manejo em termos de manutenção da pastagem
(ARAÚJO, 1985), as queimadas teriam sempre um efeito benéfico. No entanto, as espécies respondem de
maneiras diferentes a esta prática, e o domínio da mesma estaria em aumentar espécies ou parte de plantas
desejáveis e reduzir espécies indesejáveis.
A composição botânica e a qualidade da dieta selecionada por bovinos em pastagens nativas dos cerrados
submetidas a queimas em diferentes épocas são pouco conhecidas, e tais informações contribuem para o
planejamento de estratégias de manejo, identificando as espécies de plantas nas quais o manejo deve-se
basear.
 
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