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   Manejo de pastagens

      Consumo de forragem por animais em pastejo analogias e simulações em pastoreio rotativo
       
  4/7/2009  

Carvalho, P.C.F.; Trindade, J.K., Silva, S.C. et al. Consumo de forragem por animais em pastejo: analogias e simulações em pastoreio rotativo. In: 25º Simpósio sobre Manejo da Pastagem - Intensificação de sistemas de produção animal em pastos. FEALQ, 2009.
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Paulo César de Faccio Carvalho1, Júlio Kuhn da Trindade, Sila Carneiro da Silva, Carolina Bremm, Jean Carlos Mezzalira, Carlos Nabinger, Márcio Fonseca Amaral, Igor Justin Carassai, Renata Suñé Martins, Teresa Cristina Moraes Genro, Edna Nunes Gonçalves,
Gláucia Azevedo do Amaral, Horacio Leandro Gonda, César Henrique Espírito Candal Poli, Davi Teixeira dos Santos
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Introdução
O consumo de forragem em pastejo tem sido objeto de inúmeros reportes. Em comum o fato de que numerosos fatores, associados ao animal, ao pasto, ou mesmo fatores abióticos, interagem na determinação do consumo (Carvalho et al., 2007).
Há discussões e teorias várias sobre os mecanismos de controle do consumo. O leitor que quiser se aprofundar nas teorias de regulação ou nos métodos de determinação é referido a Forbes (2007) e Carvalho et al. (2007), respectivamente. No presente trabalho, o consumo de forragem será tratado no contexto da produção de ruminantes em ambientes pastoris.
Conseqüentemente, o consumo é tratado como um resultado de um processo, o processo de pastejo (Carvalho et al., 2001).
O consumo de forragem significa a quantidade de forragem ingerida por um animal durante um determinado período em que ele tem acesso ao alimento. Quando no contexto da produção animal a pasto, sem a presença de suplementos, o consumo diário é o resultado final do processo de pastejo, que por sua vez envolve a busca, a seleção e a captura da forragem que o animal exerce no ambiente pastoril. Este processo tem seu momento crucial na
construção do bocado, cuja massa e respectiva concentração de nutrientes constituem a base do consumo diário.
Cangiano (1999) descreveu o consumo em pastejo como o resultado do acúmulo da forragem consumida em cada bocado, e da freqüência com que o animal os realiza ao longo do tempo em que passa pastejando (Figura 1). Essa representação esquemática permite reconhecer a complexidade do processo numa situação de pastejo, bem como identificar as variáveis que compõe o consumo. Outros
trabalhos fazem inferências de como tais variáveis se relacionam, como os animais as manipulam ou como ações de manejo podem interferir em tais relações (Cangiano, 1999; Carvalho et al., 2008). Já este trabalho pretende abordar o assunto de forma original e avançar em sua discussão por meio da seguinte estratégia:
i) Discutir o consumo de forragem em situações de pastejo onde existam metas de utilização do pasto que contrastem estratégias de acúmulo de forragem com estratégias de colheita de forragem;

ii) Tratar o tema com foco em pastos manejados sob pastoreio rotativo, e descrever o processo de ingestão em sua dinâmica ao longo do processo de rebaixamento;
iii) A partir de pastos contrastantes, como o azevém e a braquiária, investigar e discutir analogias do processo de pastejo que signifiquem processos comuns e validem conceitualmente metas (relativas) de condição do pasto.
Contextualizando o assunto: bocados, consumo, pastejo e pastoreio
O consumo de forragem é o produto final do pastejo, cujo manejo pela interferência humana é denominado pastoreio2. O pastoreio é, portanto, parte daquilo que entendemos por manejo na área de pastagens. Isto significa que o pastoreio é uma ferramenta que tomamos usualmente com o objetivo de determinar a quantidade e a natureza da forragem consumida pelo herbívoro doméstico. No contexto da produção animal a pasto, o pastoreio busca níveis
de consumo compatíveis com metas de produção animal, pois o consumo de forragem constitui seu determinante capital.
Práticas de manejo comumente adotadas na utilização das pastagens afetam a estrutura do pasto e esta, por sua vez, afeta decisivamente o crescimento vegetal e os padrões de
comportamento e ingestão de forragem pelos animais. O pastejo necessita ser controlado neste âmbito, pois se por um lado as plantas crescem utilizando energia solar, água e nutrientes fornecidos pelo solo, por outro o crescimento é constantemente influenciado pela ação do animal por meio da remoção de folhas pelo pastejo, seletividade, pisoteio e deposição de dejeções (Carvalho et al., 1999).
A principal forma de controle do pastejo no manejo das pastagens tem sido os métodos de pastoreio contínuo e rotativo3. Método de pastoreio consiste em um planejamento espaçotemporal do processo de pastejo do animal para cada pastagem (Laca, 2009). Os fatores
principais, usados para descrever os métodos de pastoreio são a taxa de lotação, a densidade de lotação e a oferta de forragem (Scarnecchia & Kothmann, 1982), onde o objetivo central é o balanço entre a demanda e o suprimento de forragem (Laca, 2009). Ambos os métodos são definidos por uma grande variedade de fatores que podem, facilmente, aproximarem-se em termos de freqüência e intensidade de desfolhação de plantas e perfilhos individuais (Laca, 2009). Durante o processo de pastejo, os animais se vêem no desafio de obter, do pasto, alimento para atender seus requerimentos nutricionais, alimento este que pode estar estruturalmente disponível de infinitas formas. Em relação a esse processo os herbívoros desenvolveram, ao longo do histórico evolutivo (Belovsky et al., 1999), estratégias de pastejo que podem servir de descritores comportamentais de eventuais desequilíbrios alimentares (Carvalho et al., 2006), possibilitando identificar os limitantes da produção animal em pastagens. Estudos relacionados ao comportamento dos herbívoros no ambiente pastoril são capazes de revelar ferramentas potenciais para modular as interações existentes entre os animais e os recursos disponíveis (Carvalho et al., 2008). Essas ferramentas devem ser desenvolvidas e aplicadas pelos produtores dependendo dos objetivos para o pastejo e das metas de produção estipuladas. Além disso, nos sistemas de produção devemos manipular não somente o tipo animal, a taxa de lotação, o método e os períodos de pastejo, mas também conhecer o comportamento dos animais para, então, poder criar estruturas de pasto que contribuam para elevada ingestão de nutrientes em cada bocado colhido, minimizando a necessidade de “inputs” externos.
No contexto das considerações acima, o objetivo seguinte é descrever como os animais em pastejo realizam a colheita de alimento, demonstrando que os padrões de busca e apreensão de forragem, consumo e desempenho animal são influenciados por, e respondem a, variações em estrutura dos pastos. Em última análise, uma seqüência de inferências, exemplificadas com pastoreio rotativo, demonstra ser possível controlar o consumo por meio
de metas de condição de pasto.


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1 Grupo de Pesquisa em Ecologia do Pastejo. Endereço para correspondência: Av. Bento Gonçalves 7712,
Faculdade de Agronomia da UFRGS, Porto Alegre, CEP 91501-970.
E-mail para contato: paulocfc@ufrgs.br

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2. Neste trabalho faremos distinção considerando o pastejo como o processo de alimentação inato aos herbívoros, enquanto pastoreio signifique a condução antrópica de tal processo num ecossistema pastoril. Nesse contexto, toda e qualquer ação humana, no sentido de dirigir ou restringir a livre movimentação e seleção de dieta pelos animais, constitui uma ação de pastoreio. Assim, o pastoreio será tratado por seus métodos mais consagrados, os pastoreios contínuo e rotativo, respectivamente designando situações onde o gerenciamento do processo de alimentação no pasto assuma uma configuração contínua, ou alternada, de condução do pastejo.
3. Não é intenção discutir os métodos de pastoreio. Para tanto, o leitor é referido a Briske et al. (2008). A ênfase nos métodos de pastoreio, nesta parte do trabalho, está apenas em que se trate de estratégias que produzem caminhos distintos de gerenciar o consumo de forragem.
 
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