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   Manejo de pastagens

      Do bocado ao sítio de pastejo manejo em 3D para compatibilizar a estrutura do pasto e o processo de pastejo
       
  4/7/2009  

Texto enviado para o VII Simpósio e III Congresso de Forragicultura e Pastagens, Universidade Federal de Lavras, junho de 2009
Do bocado ao sítio de pastejo: manejo em 3D para compatibilizar a estrutura do pasto e o processo de pastejo

Paulo C. de F. Carvalho1, Jean C. Mezzalira, Lidiane Fonseca, Cristiane de L. Wesp, Julio K. da Trindade, Fabio P. Neves, Cassiano E. Pinto, Márcio F. do Amaral, Carolina Bremm, Gláucia A. do
Amaral, Davi T. dos Santos, Federico S. Chopa, Horacio Gonda, Carlos Nabinger, Cesar H. E. C. Poli

1. Introdução
A forma como o animal reage às variações estruturais do pasto compõe o que se conhece por comportamento ingestivo em pastejo. O estudo dessas reações tem assumido papel preponderante na discussão sobre o uso do recurso forrageiro e a produção animal subseqüente, onde o manejo das relações planta-herbívoro deve
ser contextualizado num novo paradigma de manejo, o de uma pastagem multifuncional (Carvalho, 2005).
O animal procura e seleciona seu alimento dentro de um mosaico de patches de diferentes estruturas. A complexidade dessas interações se deve ao fato destes mosaicos variarem em disponibilidade e valor nutritivo (Wallis de Vries & Daleboudt, 1994), seja no tempo, seja no espaço (Senft et al., 1987; O’Reagain & Schwartz, 1995).
Para lidar com o desafio de se alimentar em ambiente tão complexo, os animais em pastejo se obrigam a tomar inúmeras decisões. Decisões desde escalas em nível de segundos (bocado e estação alimentar (EA), de minutos (patch), de horas (sítio de pastejo – refeição), de dias (tempo diário de pastejo), até escalas em nível de ano, quando já se envolvem interações sociais, reprodutivas, migratórias, dentre outras (Bailey & Provenza, 2008). Todas essas interações determinam diferentes formas de uso do pasto cuja estrutura é, ao mesmo tempo, causa e conseqüência do
processo de pastejo. A estrutura do pasto é aqui definida como a disposição espacial da biomassa aérea de uma pastagem. Essa estrutura pode ser descrita por inúmeras variáveis, que expressam desde quantidades de forragem existentes de forma bidimensional (e.g., kg de matéria seca/ha), até a disposição espacial de espécies, agregação e/ou combinações de espécies, alturas de plantas, composições botânicas, enfim, vários parâmetros são encontrados na literatura. Não obstante a tentativa de caracterização da estrutura do pasto pela pesquisa, a sua descrição tal e qual os
animais, de fato, “percebem e reagem” a ela parece distante, pois os animais colhem forragem verde num ambiente 3D em contínua mutação.
A interação dos inúmeros fatores que determinam qual seja a estrutura do pasto, aliada à habilidade do animal em colher forragem na mesma, determinam o sucesso ou o fracasso do animal em seu trabalho diário de colheita de nutrientes.
O manejo aplicado ao pasto, por sua vez, determina a disposição da forragem no ambiente e, por conseguinte, influencia o método de busca e apreensão da forragem no ambiente pastoril, com conseqüências no desempenho dos animais em pastejo.
Neste contexto, manejar o pasto é uma arte, que pode ser vista pela criação de ambientes ideais ao processo de pastejo (Carvalho et al., 2008).
Toda e qualquer intervenção no ecossistema provoca mudanças, que podem ser positivas, aumentando a taxa de crescimento e otimizando o processo de colheita e a produção animal. Ou, por outro lado, o manejo pode acarretar problemas, como
baixa produção animal, principal reflexo do mau manejo, até a degradação do pasto, conseqüência de um manejo inadequado por longo período de tempo. Estes resultados, positivos ou negativos, estão em função da reação das plantas ao
manejo empregado e, portanto, da estrutura formada a partir do manejo (Carvalho et al., 2008).
Mudanças na estrutura e composição botânica do pasto exercem efeito direto sobre a ingestão de forragem pelos animais em pastejo. Neste contexto, a estrutura do pasto é definida como um equilíbrio resultante da competição interespecífica de uma
determinada pastagem (Skarpe, 2001). Esta estrutura corresponde à dinâmica de crescimento das partes das plantas que, por sua vez, depende das variáveis morfogênicas que são reguladas pelos fatores ambientais (água, luz, nutrientes), pelos fatores genéticos, pelo manejo animal aplicado e pela própria estrutura gerada. A estrutura do pasto, em última análise, corresponde ao elo entre as repostas obtidas em termos de produção da planta forrageira e do desempenho animal (Carvalho et al., 2007). Dessa forma, caracterizar a estrutura do pasto é fundamental para avançar no conhecimento dos processos que regem a interface
planta-animal (Hodgson & Da Silva, 2002).
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1. Grupo de Pesquisa em Ecologia do Pastejo. Faculdade de Agronomia, UFRGS. Av. Bento
Goncalves 7712, Porto Alegre-RS. e-mail de contato: paulocfc@ufrgs.br
 
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