Domicio do Nascimento Junior
 

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   Ecologia

      DINÂMICA DE POPULAÇÃO DE PLANTAS FORRAGEIRAS EM PASTAGENS
       
  18/11/2008  

Sila Carneiro da Silva1; Domicio do Nascimento Júnior2; André Fischer
Sbrissia3; Lilian Elgalise Techio Pereira4
1 Professor Associado do Departamento de Zootecnia da E.S.A. “Luiz de Queiroz”, Universidade de
São Paulo – Pesquisador do CNPq
2 Professor Titular do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa – Pesquisador do CNPq
3Professor Doutor do Departamento de Produção Animal e Alimentos da Universidade do Estado de Santa Catarina
4Aluna de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal e Pastagens, ESALQ/USP

Introdução

A produção animal em pastagens no Brasil tem passado por
transformações conceituais e mudanças significativas de paradigmas nos últimos anos. Dentre elas, talvez a principal seja o reconhecimento de que as pastagens correspondem a um ecossistema específico, complexo e caracterizado por uma série de interações entre seus componentes bióticos e abióticos que, para que seja sustentável, necessita da composição de um equilíbrio harmônico entre processos aparentemente conflitantes (Da Silva & Nascimento Júnior, 2007). Ou seja, é necessário que seja tratada dentro de um enfoque sistêmico, considerando aspectos de ecologia, biologia, preservação e impacto ambiental, porém com responsabilidade econômica e social (Da Silva & Carvalho, 2005). Nesse contexto, compreender processos, entender a relação entre eles e suas relações com as exigências de plantas e animais é fundamental para poder definir estratégias de pastejo eficientes e que não agridam e nem degradem o meio ambiente (Lemaire et al., 2005).
Essa abordagem sistêmica, utilizando princípios de ecologia, tem
levado pesquisadores a buscar conhecimento sobre relações do tipo
causa-efeito (encontrar as repostas para os “por quês”?), focando seus
esforços de pesquisa principalmente em aspectos relacionados com a
estrutura do pasto e sua relação com as respostas de plantas e animais.
Como resultado, o conceito de alvo ou meta de manejo (sward target)
(Hodgson, 1990), originalmente desenvolvido para plantas forrageiras de clima temperado, vem sendo utilizado para as plantas forrageiras tropicais, mais especificamente as gramíneas (Da Silva & Hodgson, 2002). Várias são as características do pasto determinantes da estrutura do dossel (Lemaire & Chapman, 1996; Da Silva & Nascimento Júnior, 2007), mas, dentre todas, seguramente é a densidade populacional de perfilhos (e seus padrões de variação com as práticas de manejo e com as estações do ano) aquela capaz de gerar impactos mais significativos na estrutura dos pastos (Matthew et al., 2001) e influenciar as respostas de plantas, animais
e suas interações (Da Silva, 2004). Essas variações são função,
basicamente, de alterações do balanço entre os processos de
aparecimento e morte de perfilhos, ou seja, da dinâmica populacional, as quais resultam em modificação da longevidade e estabilidade de gerações individuais e da população de perfilhos como um todo. Estas, por sua vez, determinam alterações no perfil demográfico, na arquitetura do dossel, na eficiência fotossintética da área foliar, na idade média e na persistência da população. As modificações na população de plantas interferem em processos que ocorrem em perfilhos individuais, afetando os padrões de
alongamento de folhas, colmos e de senescência das plantas, modificando o tipo de componente morfológico produzido, seu tamanho, arranjo espacial no dossel e composição química da forragem.
No caso de pastagens multi-específicas a complexidade do
equilíbrio é ainda maior, pois, além de aspectos relacionados com a
competição intra-específica, existem aqueles relacionados com a
competição interespecífica e, nesse contexto, a necessidade de
conhecimento e compreensão de fundamentos de ecologia e de sucessão
de plantas ganha importância relativa ainda maior. Estudos recentes
conduzidos em pastagens naturais, como as do Rio Grande do Sul
(Carvalho et al., 2008), apresentam resultados que demonstram a
necessidade de um embasamento teórico muito maior para sua
abordagem. Por essa razão, este texto irá abordar apenas a dinâmica de populações de plantas em pastagens mono-específicas de gramíneas, discutindo processos e suas implicações em termos de planejamento e idealização de práticas de manejo do pastejo.
 
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