Domicio do Nascimento Junior
 

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   Manejo de pastagens

      ASPECTOS AGRONÔMICOS PARA A PRODUÇÃO INTENSIVA DE LEITE EM PASTO
       
  28/12/2007  

III SIMPÓSIO DE NUTRIÇÃO E PRODUÇÃO DE GADO DE LEITE:
PRODUÇÃO DE LEITE EM PASTO

ASPECTOS AGRONÔMICOS PARA A PRODUÇÃO INTENSIVA DE LEITE EM PASTO(1)

Sila Carneiro da Silva(2) Domicio do Nascimento Júnior(3).

Introdução.
Nos últimos 30 anos a área ocupada por pastagens no Brasil passou de 154,1 para 177,7 milhões de hectares, resultado de um aumento expressivo nas áreas de pastagens cultivadas. Como conseqüência, houve um decréscimo nas áreas de pastagens nativas, que passaram a representar aproximadamente 45% do total (99.650 milhões até 1995), ou seja, houve um crescimento de 300% na área de pastagens cultivadas. A maior proporção de áreas ocupadas por pastagens nativas na década de 70 correspondia ao ecossistema Cerrado, atualmente responsável por cerca de 50% da produção de carne do país e cerca de 49,5 milhões de hectares de pastagens cultivadas. Esse aumento da área de pastagens cultivadas foi responsável pela substituição dos capins gordura, colonião, guiné e angola por green panic, makueni, Setaria kazungula etc.. Com a introdução das espécies do gênero Brachiaria e, em especial da Brachiaria decumbens, a taxa de lotação inicial, que nas décadas de 60 e 70 era de 0,25 animal/ha, passou para 0,9-1,0 animal/ha. Esse tipo de Brachiaria se adaptou muito bem ao ecossistema Cerrado, cujos solos são originalmente ácidos e de baixa fertilidade. O ganho de peso aumentou, em média, 2 a 3 vezes em relação ao obtido em pastagens nativas. As espécies forrageiras mais utilizadas inicialmente foram a B. decumbens, a B. ruziziensis e a B. humidicola. Na década de 80 foi lançada pela Embrapa a B. brizantha cv. Marandu, que tem hoje expressiva participação no cenário nacional. Às braquiárias seguiu-se, ainda na década de 80, o lançamento de diversos cultivares de Panicum maximum tais como Tobiatã, Tanzânia, Centenário, Centauro, Aruana, Mombaça etc.. Destes, apenas os cultivares Tan-zânia e Mombaça possuem atualmente participação significativa nas áreas de pastagens cultivadas. Em 2001, a Embrapa Gado de Corte lançou mais um cultivar de P. maximum, o Massai. Em 2002, foi lançado, em parceria com o CIAT (Centro Internacional de Agricultura Tropical), o cultivar Xaraés de B. brizantha, originário de uma coleção importada da África (Nascimento Jr. et al., 2003). Esse crescimento da área de pastagens cultivadas foi acompanhado por um crescimento do rebanho animal, com destaque para a região Centro-Oeste. No momento, a tendência atual do rebanho juntamente com a da área de pastagens é de estabilização. Apesar de se observar redução na taxa de crescimento do rebanho, consta-tada na década de 90, a produtividade aumentou, visto que a produção de carne bovina cresceu, em média, cerca de 3,7% ao ano. O crescimento do rebanho foi acompanhado por um crescimento da taxa de aba-te, que passou de aproximadamente 12% na década de 70 para cerca de 20% nos dias atuais. A produção de carne passou de 2,4 milhões de toneladas em 1977 para 6,2 milhões em 1999. O Brasil possui atualmente o maior rebanho comercial do mundo e é o 2º produtor mundial de carne bovina. O consumo interno é elevado (37,6 kg de equivalente-carcaça/habitante.ano) e vem se mantendo estável nos últimos anos, enquanto o consumo “per capita” de carne de aves e suínos vem evoluindo expressivamente. Apesar de o Brasil figurar entre os primeiros lugares como exportador de carne, apenas 10-11% da produção nacional são destinados ao mercado externo. Infelizmente, os índices médios de desempenho zootécnico do rebanho brasileiro ainda são muito baixos (e.g. 30 kg de carne/ha.ano). Várias podem ser as causas dessa ineficiência, mas seguramente grande parte da explicação está relacionada com a concepção filosófica equivocada do conceito de sistema de produção animal em pastagens e de intensificação do processo produtivo. Nesse contexto, o caráter multidisciplinar e interativo dos componentes solo-planta-animal-meio e o conhecimento das respostas de plantas e animais a estratégias de manejo do pastejo são componentes-chave para a idealização, planejamento e implementação de sistemas de produção eficientes, sustentáveis e competitivos. Essas são características que correspondem à marca registrada dos países ditos desenvolvidos na atividade pecuária e que seguramente permitiriam ao país desfrutar de seu real potencial para produção animal. O presente texto tem por objetivo discutir criticamente aspectos da produção animal em pastagens, apresentando um breve histórico da evolução do conhecimento, reconhecendo progressos, apontando deficiências e sugerindo, na medida do possível, alternativas para solução de problemas e restrições.

1 Texto publicado nos Anais do II Congresso Latino Americano de Nutrição Animal (CLANA), em 2006.
2 Departamento de Zootecnia, USP/ESALQ, Pesquisador do CNPq, scdsilva@esalq.usp.br
3 Departamento de Zootecnia, UFV, Viçosa, Pesquisador do CNPq, domicio@ufv.br
 
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