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   Morfogênese

      Características morfofisiológicas e acúmulo de forragem em capim-mombaça submetido a regimes de desfolhação
       
  17/4/2007  


LOPES, Bruna Adese, D.Sc., Universidade Federal de Viçosa, maio de
2006. Características morfofisiológicas e acúmulo de forragem em
capim-mombaça submetido a regimes de desfolhação.
Orientador: Domicio do Nascimento Junior. Co-Orientadores: Valéria Batista Pacheco Euclides e Sila Carneiro da Silva

Sistemas de pastejo que respeitem a velocidade de recuperação das
plantas forrageiras após desfolhações podem maximizar o acúmulo de
forragem, mantendo o controle consciente sobre a estrutura do dossel
forrageiro. Nesse contexto, objetivou-se avaliar os padrões de resposta do capim Panicum maximum cv. Mombaça à desfolhação, em dois
experimentos, utilizando mensurações das características morfogênicas e estruturais, dinâmica do perfilhamento, acúmulo de forragem e composição morfológica da forragem produzida. O primeiro experimento foi conduzido na Universidade Federal de Viçosa, Viçosa-MG, de outubro de 2003 a maio de 2004, e seguiu o delineamento de blocos completos casualizados, com três
repetições. Os tratamentos corresponderam a combinações entre duas
alturas de corte (25 e 50 cm) e três freqüências de corte (tempo necessário para o aparecimento de duas, três e quatro folhas por perfilho), e foram alocados nas unidades experimentais de acordo com um arranjo fatorial 2 x3. Em função dos diferentes intervalos entre cortes sucessivos, como resultado dos tratamentos planejados, cada unidade experimental foi subdividida em quatro, três e duas subparcelas, para as freqüências de corte de duas, três e quatro folhas surgidas por perfilho, respectivamente. Pelas mensurações foram estimadas as alturas pré-desfolhação e o acúmulo de forragem a cada corte; as características morfogênicas e estruturais, duas vezes por semana; e a demografia do perfilhamento, a cada 30 dias. O
segundo experimento foi conduzido na Embrapa Gado de Corte, Campo
Grande-MS, no período de outubro de 2004 a maio de 2005, e seguiu o
delineamento de blocos completos casualizados, com três repetições. Os tratamentos corresponderam a três intensidades de pastejo, caracterizadas por meio de alturas de resíduo pós-pastejo (30 e 50 cm ao longo do período experimental e 50 cm na primavera e no verão, sendo reduzida para 30 cm após dois pastejos sucessivos durante o outono), e associadas a uma condição pré-pastejo de 95% de interceptação luminosa pelo dossel forrageiro, durante a rebrotação. Pelas mensurações puderam ser estimados as alturas e as massas pré e pós-pastejo, o acúmulo de forragem, as características morfogênicas e estruturais e a demografia do perfilhamento.
No primeiro experimento, as alturas aumentaram com a redução da
freqüência (79, 90 e 124 cm, para duas, três e quatro folhas por perfilho, respectivamente) e a intensidade de desfolhação (80 e 103 cm, para 25 e 50 cm de altura de corte, respectivamente), tendo sido observados períodos de rebrotação semelhantes entre as intensidades (41,8 e 39,9 dias, para 25 e 50 cm de altura de corte, respectivamente). A taxa de alongamento de colmos (0,326 e 0,711 cm/perfilho.dia) e senescência foliar (0,701 e 1,309 cm/perfilho.dia), a duração de vida (74,2 e 90,4 dias), o comprimento final das folhas (25,4 e 31,8 cm), o número de folhas vivas (5,6 e 6,5) e o
peso dos perfilhos (2,27 e 4,89 g/perfilho) foram maiores na altura de corte de 50 cm, em comparação com 25 cm, também apresentando menorrenovação de perfilhos. A freqüência de desfolhação só modificou as taxas de alongamento do colmo e de senescência foliar e o peso dos perfilhos, sendo menor para duas do que para três e quatro folhas por perfilho. As menores freqüências de desfolhação não controlaram o alongamento e o acúmulo de colmos (0,05, 0,10 e 0,16 kg/m2, para duas, três e quatro folhas por perfilho, respectivamente), favorecendo o desenvolvimento reprodutivo dos perfilhos, com conseqüente redução na relação lâmina -colmo (8,50, 6,78 e 2,79 para duas, três e quatro folhas por perfilho, respectivamente). O
acúmulo de massa seca total, lâminas foliares, colmos e material morto
aumentou em diferentes proporções com a redução na freqüência de
desfolhação. As intensidades de desfolhação, por sua vez, não alteraram a composição morfológica da forragem acumulada (69,4, 29,8 e 9,8% de lâminas foliares, colmos e material morto, respectivamente) e o acúmulo de lâminas foliares, colmos e material morto, mas afetaram o acúmulo de massa seca total (0,47 e 0,56 kg/m2 para 25 e 50 cm de altura de corte, respectivamente). As condições climáticas durante o período experimental
influenciaram o fluxo de tecidos (características morfogênicas e estruturais e dinâmica do perfilhamento), o que evidencia a importância de se levar em conta a velocidade de recuperação das plantas após uma desfolhação durante as diferentes estações do ano. Maiores intensidades de desfolhação resultam em aumento no fluxo de folhas e perfilhos, porém a freqüência de desfolhação é mais efetiva no controle do acúmulo e desenvolvimento de colmos. No segundo experimento, a intensidade de pastejo não modificou as
características morfogênicas e estruturais, exceto o comprimento final das folhas. Todavia, a redução do resíduo pós-pastejo resultou em melhor renovação na população de perfilhos, favorecendo um perfil mais jovem na população de perfilhos mais leves; reduziu a velocidade de alongamento de colmos e da senescência; e aumentou o intervalo entre pastejos sucessivos (55, 41 e 41 dias para 30, 50 e 50-30 cm de resíduo pós-pastejo, respectivamente). A densidade populacional de perfilhos foi semelhante nas intensidades de pastejo (580, 569 e 568 perfilhos/m2 para 30, 50 e 50-30 cm, respectivamente), mas aumentou ao longo do período experimental. O acúmulo de forragem foi de 2.020, 1.950 e 1.800 kg/ha, por ciclo de pastejo,
nas intensidades de 30, 50 e 50-30 cm, respectivamente, mas a intensidade de 30 cm apresentou um ciclo de pastejo a menos do que as intensidades de 50 ou 50-30 cm (3,7, 4,7 e 4,7 ciclos de pastejo durante o período experimental, para 50, 30 e 50-30 cm, respectivamente). A altura pré-pastejo foi de 70 cm para o resíduo de 30 cm e de 72 cm para os resíduos de 50 e 50-30 cm, e variou nos ciclos de pastejo, reduzindo de 90,5 para 60,4 cm do
primeiro ao último ciclo de pastejo. Durante o período experimental,
modificações comuns às intensidades de pastejo apresentaram relevância para redução da altura correspondente à interceptação luminosa de 95%.
Essas modificações ocorreram no sentido de homogeneizar a estrutura dos pastos, que variava amplamente devido à falta de controle sobre a estrutura durante longo período em uso precedente ao experimento. De modo geral, a proporção de espaços vazios no solo diminuiu de 30 para 10%, a densidade populacional de perfilhos (perfilhos/m2) e o número de perfilhos/touceira aumentou 100%, e a densidade volumétrica da forragem pré-pastejo aumentou de 43,4 para 74%, indicando que essas plantas precisaram de tempo para se adaptarem ao manejo do pastejo imposto durante o período experimental. As plantas priorizaram essas modificações estruturais em
relação a mudanças morfogênicas comumente observadas em pastos com estrutura controlada por longos períodos de tempo e, ou, em pastos recémformados.
Exemplo de que este fato ocorreu é a ausência de diferença entre
tratamentos (intensidades de pastejo) nas características morfogênicas e estruturais durante o segundo experimento, enquanto no primeiro
experimento o fator intensidade de desfolhação afetou significativamente a maioria das variáveis estudadas.
 
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