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      Comportamento animal em pastejo
       
  16/10/2006  


Sila Carneiro da Silva
1 Professor Associado do Departamento de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo, e pesquisador do CNPq (scdsilva@esalq.usp.br). 1
1. Introdução
Durante a última década têm ocorrido mudanças significativas na maneira segundo a qual a produção animal em pastagens é discutida, planejada e conduzida no país. Originalmente as pesquisas e as propostas de exploração desse recurso forrageiro eram caracterizadas por uma busca quase que incessante por produtividades máximas à custa de pesados investimentos em, por exemplo, adubação e irrigação, até então considerados por muitos uma “heresia” em termos de uso de recursos financeiros na agropecuária. Nesse contexto, aspectos relacionados com o entendimento das relações planta-animal na pastagem e sua importância na determinação das respostas medidas e almejadas eram considerados de importância secundária. Essa filosofia, estritamente pragmática e imediatista de produção, compreensível e até justificável pela necessidade de aumentar a produção de alimentos e criar competitividade da exploração pecuária em relação a outras modalidades de exploração econômica da terra (Corsi et al., 2001), tinha como meta assegurar o atendimento das
necessidades de uma população crescente e viabilizar retornos financeiros atrativos para o capital investido (Balsalobre et al., 2002). Sem dúvida alguma a produção animal no país cresceu, muitos
avanços foram obtidos com a tecnologia disponibilizada e a obtenção de altas produtividades e rentabilidades se tornou uma possibilidade real. O sucesso foi tão grande que com o passar dos anos
o conceito de “produção intensiva” em pastagens passou a ser sinônimo de utilização de pastos formados por cultivares de Panicum, Pennisetum ou Brachiaria recebendo altas doses de
fertilizantes, especialmente nitrogenados, manejados de forma rotacionada e, na condição “mais intensiva”, com o uso de irrigação. Essa concepção de “intensificação”, pela forma como foi e ainda
vem sendo interpretada, fez parecer simples um processo extremamente complexo e dinâmico, altamente dependente da compreensão e entendimento da interação das respostas de plantas e
animais no ecossistema pastagem (Carvalho, 2005). Ironicamente, o mesmo fator responsável por propiciar as elevadas produtividades se tornou a causa da maioria dos “problemas” enfrentados na
implementação, adoção e utilização dessa estratégia de “intensificação”, uma vez que o manejo do pasto e do pastejo não foram ajustados de maneira a tornarem-se compatíveis com a maior
velocidade de crescimento das plantas e a maior taxa de acúmulo de matéria seca, premissas básicas da maior produção de forragem sob aquelas circunstâncias. Isso gerou como resultado pastos com
altura e massa de forragem muito elevadas, caracterizadas por acúmulo excessivo de colmos e de
material morto e grande dificuldade de rebaixamento durante o pastejo (Da Silva & Corsi, 2003).
Esses fatores foram determinantes de inconsistências nas taxas de lotação empregadas e baixos níveis de desempenho animal obtidos em relação às expectativas almejadas para uma pastagem manejada no limite superior da “escala de intensificação”. Como conseqüência, frustrações e questionamentos têm surgido, catalisando um processo de reconhecimento da necessidade de se entender melhor o processo de produção e aceitar o fato de que existem interações complexas entre plantas e animais que não podem ser negligenciadas (Da Silva, 2004; Carvalho, 2005). Assim, o ecossistema pastagem precisa ser mais bem estudado, e uma visão mais ecológica, sustentável e
sistêmica assumida sem, contudo, negar a necessidade de gerar produção de alimentos com retorno econômico (Da Silva & Carvalho, 2005). Nesse contexto, o conceito de intensificação dos sistemas
de produção precisa estar mais associado ao nível de utilização e abrangência dos conhecimentos aplicados em seu gerenciamento que ao nível de investimento financeiro ou uso de insumos e
recursos externos, sendo a colheita eficiente da forragem produzida um processo-chave a ser devidamente manipulado e ajustado (Da Silva & Corsi, 2003; Carvalho, 2005; Da Silva &
Nascimento Jr., 2006). Atualmente, a exploração de pastagens com a preocupação de preservar e conservar o ambiente, a necessidade de produzir alimentos de qualidade e com segurança alimentar, observando princípios éticos de criação e manejo dos animais e o uso da paisagem rural para fins outros que não apenas atender a demanda por alimentos e gerar retorno financeiro per se (e.g. preservação de
recursos naturais, habitação, recreação e lazer) tem ganhado importância cada vez maior (Lemaire et al., 2005). Isso tem forçado uma revisão de paradigmas e uma reformulação de conceitos
relativos ao planejamento e condução de sistemas de produção animal em pastagens, ganhando força e sustentação a idéia de que o manejo da pastagem deve ser encarado como a ação de criar ambientes pastoris adequados, que otimizem o consumo de nutrientes pelos animais em pastejo (Carvalho et al., 1999a; Carvalho, 2005; Carvalho & Moraes, 2005; Carvalho et al., 2005; Da Silva & Carvalho, 2005). Para isso é fundamental conhecer o animal, suas necessidades, como ele busca e colhe seu alimento no pasto. O comportamento dos animais em pastejo, dentre uma série de outras respostas, é seguramente uma porção importante do conhecimento para o entendimento das relações
planta-animal no ecossistema pastagem. O presente texto tem por objetivo discuti-lo e integrá-lo ao processo de produção como forma de fornecer subsídios para o planejamento e uso de soluções técnicas que visem otimizar o consumo de forragem, o desempenho e a produção animal respeitando os requerimentos de plantas e animais e a harmonia do ecossistema pastagem.
 
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